OS AFORISMOS DO CIBERPAJÉ | EDGAR FRANCO

 

Os aforismos do Ciberpajé
Texto de orelha | Carla Dias

 

 

No aforismo, a reflexão pode se perder fácil. O sucinto entra em cena para narrar e filosofar complexidades. Não se trata do descarte do aprofundar-se no tema, mas da habilidade de tocar o essencial. Mas e quando o essencial avança no terreno da individualidade? 
A brevidade das narrativas de “Os aforismos do Ciberpajé” abraça o mundo – ao abordar temas que remetem ao “em comum” – e o universo particular de seu autor, Edgar Franco, o Ciberpajé. Tem como base a observação da rotina coletiva, mas também aquela pertencente ao indivíduo, decorrente de suas percepções, e que o alcança em resposta à sua história pessoal.


Em tempos de verborragia compartilhada sem pudor, a fim de esconder a ignorância – no sentido de ignorar mesmo – ou alimentar intelectualidade vazia, o Ciberpajé chega com seus achados interiores, entrelaçando-os às verdades universais administradas para controle da firma-humanidade, às vezes distribuídas para garantir sobrevivência; em outras, para manter os distraídos no lugar do desinteresse.
Interessar-se, porém, é o que este livro pontua como essencial para a existência. Pensar o definido nas mãos da maleabilidade, repensar escolhas e credos, avaliar se, diante do Cosmos, o sujeito compreende a preciosidade de respirar; a mediocridade de muitas das escolhas que o definem.


Edgar Franco renasceu Ciberpajé, e o “universo ficcional transmídia e mágicko chamado Aurora Pós-Humana” pelo qual trafega aponta para a necessidade de reconhecimento do amor e da dor que nos molda: “Do barro fomos feitos, ao barro retornaremos. O barro, matéria essencial das estrelas, dos buracos negros, dos humanos e dos golens.” Passou a limpo a sua existência, e a partir de seus universos ficcionais, em encontro/confronto com sua realidade, tornou a criação artística a principal engrenagem de sua própria construção. Por essa escolha, os leitores saem ganhando. A cada aforismo, é possível se perceber ausente ou presente, não somente na magia dos universos criados pelo autor, mas também nas camadas que fazem de cada um quem é.